A Muralha


A Muralha



Pedra a pedra construi muralha imaginária,
defendo minha alma frágil e atormentada…
Impenetrável até à luz da madrugada,
Granitos esculpidos em lágrimas de amargura!




Não servia de nada ao amor sua procura
Do alto da torre a névoa ocultava a enseada
Onde havia partido a Caravela prateada,
Que transformou o dia em noite escura!




Foram séculos e milhas de ausência,
Onde reforçar a muralha era dever cumprido…
Por inacabada eternamente soava minha penitencia!




Por muito que o desejo se solta-se apetecido,
As velhas muralhas gritavam com clarividência...
Abafando a sensualidade do meu gemido!




Como a brisa marinha encantada e imprevisível
Misteriosa…como a onda que lava a nova era…
Com a andorinha que anuncia a primavera
Artesã de chaves e amor imperceptível




Mãos que quebram saudades em mil pedaços…
Sugando as negras nuvens onde agora amanhece,
E a linda enseada nos meus olhos parece ,
A poesia onde deixei em abertos tristes espaços...




Com palavras religiosamente aprisionadas,
nas masmorras que eu próprio construi um dia…
Mal soava o Pai Nosso e a Ave Maria,
Entre as muralhas vidas abandonadas…




Queria sentar na areia da praia dos afectos,
Sentir onda a onda e brisa a brisa o beijo,
O Escutar seu nome nos búzios secretos..
Saber quem escala a muralha do desejo…




Renuncio por amor ao trono eterno
Quando a doce voz me oferecer o canto,
Como a sereia me presenteou no recanto…
Longe do reino onde não há primavera...só inverno!




Alma pintada com a paixão de outrora,
No horizonte as velhas Caravelas me assomam,
As sombras da minha alma se apaixonam
Não me prives de novo do esplendor da aurora!




Escuto tua chegada…passo a passo,
Teu perfume corre entre as brechas do velho muro…
é o canto mais sedutor o amor mais puro,
Se me enganar? A espada no peito trespasso…




Onde reinava a noite surge a luz do dia,
Os ventos sopram velas hasteadas no velho cais…
E eu acho e limpo o pó do velho livro de poesia,
Onde a fé renasce as orações como flores nos quintais...




Passei correndo em frente ao espelho e vi amante,
Escondido nas masmorras em fim da vida,
Vem! Vem até mim minha princesa querida!
Destronar este Rei antes errante!




Minha paixão voa nos vales…ninguém trava!
Tu que com tua presença meu coração acelera.
És comparável ao mais belo entre o céu e a terra,
Tudo aquilo que a triste muralha tapava...

Robert

2 comentários:

Nalva disse...

Ah,Robert...meu Poeta preferido...venho aqui me encontrar com sua alma,Trás dos Montes e das muralhas...,lindo demais!

Beijos!

(agora sim,está ótimo,essa janelinha ficou 10...)

Anónimo disse...

Chegar aqui e sentir os sentimentos dos seus versos, torna-se algo além da alma...você não se tornou poeta...vc nasceu poeta...poesia e Robert = combinação perfeita....tristes, alegres, sensuais, eróticas, divertidas...escreve de um jeito único...mais uma vez meus parabéns! Seu blog está lindíssimo....Beijos no seu coração.Yluna Angel

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