O poeta e a Camponesa


O poeta e a Camponesa

És tu que não sais da ensurdecedora saudade…
És tu o eco que dança no sensual tango com a paixão
gravado na arrepiante pele que desconheces
nos recantos dos becos da boémia cidade.
Longe do Jazz ao som dos clarinetes que chalreiam
com igual sedução dos pássaros onde foste criada,
Entre copos do adormecido Porto sinto desviada
a musica que toca no fundo do salão…pura ilusão
És tu a papoila em botão que sinto cravar na mão
em tua distância guardada… pura e imaculada.

Sou eu que deambulo pelas calçadas ao romper da aurora
Ouvindo na mente o rouxinol cantor alado
num concerto alucinante enquanto tratas do gado
lá longe onde minha saudade eternamente mora,
onde corres com os cabelos ao vento pelos campos fora,
perfumando as pedras que rebolam no riacho com tua pureza,
Cantando num dueto com o rouxinol de audaz singeleza…
Eu…cravado num fuso horário com bafo de desgraça
imagino-te correndo nos verdes campos descalça,
fugindo ao meu desejo de te ter em tua beleza….

Teus lábios se insinuam molhados na fonte onde bebeste
a água que em mim é puro desleixo em forma de veneno…
Teu corpo selvagem suado da lida cheirando a feno
do trigo dourado que eu queimo e tu colheste…
És o sonho que em mim é o verdadeiro contraste
em que o boémio poeta se apaixonou pela flor delicada
que um dia nas linhas da minha poesia eu vi pintada
e entre as flores campestres eras a papoila mais bela
e em noites de lua brilhas muito mais que ela…
És tu meu desejo … és a flor minha amada.

Sou eu que não te tenho na mão…então que se solte a ilusão
que em pouco me vale ser tão pobre ao gritar rouco
o que sinto nos versos de um desejo louco….
O que vale à poesia guardar-te no coração?
De bicos de pés no penhasco do suicídio grito nãoooo,
não vou com certeza
abandonar de novo os campos onde nasceu um amor em grandeza
de uma beleza que te vejo e revejo…desejo e almejo…
Tens tudo quanto desejo…envenena-me no teu beijo…
És tu minha papoila…minha camponesa…

Robert

9 comentários:

Juliana Castelar disse...

A cumplicidade e a confiaça entre vocês dois é imensa. Poesia e Poeta! Todos dois... Apaixonantes! Beijos na alma.

Sandra Amorim disse...

Sua papoila é a mulher mais feliz do mundo! Tenho certeza! Lindos versos Anjo, parabénsssssss! Beijooooooo

Flor Morena disse...

Em algum lugar do passado...a história se repete: a bela e a fera... o pricipe e a plebéia... Romeu e Julieta,o poeta e a camponesa. Em tudo vemos que o amor mora na simplicidade e o belo está nos olhos de quem vê. Bjos, Flor.

Mel disse...

Tu és o Arquiteto das palavras...o alquimista da paixão...a poesia que escorre dos teus dedos é pura sedução...Te condeno a 5 mil anos de cárcere privado...dentro do meu coração!

Lindo poeta...corri por esses campos e madrigais...rs,rs...Beijos de Mel!

Denise Matos disse...

Eita que linda poesia, Robert!
Fez-me lembrar da "Plebéia" que escrevi a muito tempo atrás.
Adoro como a poesia pode nos levar pra épocas distantes, sendo que o amor está sempre aí, entranhado nela. Aplausos pra vc e bjos em seu coração...

Bia Hain disse...

Oi, Robert! Sou completamente fã da maneira como enaltece a mulher e o amor, misturando uma pitada de desejo com sabedoria nada vulgar, mas sensual. Adorei! Espero que o homem que eu amo me veja um pouco assim! Um abraço!

MARILENE disse...

Merecida homenagem lhe fez a Leninha. O beija flor me trouxe aqui. Parabéns pelo estilo encantador de seus versos.

Abraços

Nalva disse...

Oi,estou aqui em minhas noites de insônia,vim me entorpecer no ópio de tua papoila,me viciei em ti e em tua poesia...e se não vier ...tenho dores horríveis de saudade e abstinência...

Beijos Rob!

Anónimo disse...

ai Robert como gosto de me perder lendo teus versos...R

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