Não tem sentido…é saudade …é loucura…


Não tem sentido…é saudade …é loucura…

Serei para sempre prisioneiro do amor dos teus lábios
que beijam a poesia escrita pelos poetas loucos e sábios
e que não veem a saudade que guardo religiosamente em mim,
ai…é muita…muita…louca e muita …é saudade eu sei que sim…
Refugiada na aguardente que me embebedo sei bem que foi e é
a minha poesia que grita muda sem medo de perder a fé
entre as tristes comoções da nossa curta e feliz mocidade
entre os desejos de que sejas minha nessa tua realidade…
Se não te poder amar dá-me o teu coração amigo
nu como a consciência e o guardarei para sempre comigo
mesmo que tu corras num adeus cruel e fatal
em busca deste mesmo amor e do mesmo ideal….
Nunca deixarei a multidão esquecer que és Cristã
e nossas almas voam como irmã junto a irmã
casados e felizes apesar de ter rasgados os véus
que por amor me resigno à saudade e ao amor por Deus….
Deus sabe que tu sabes que escrevi poesia louca e sofrida
nas lágrimas que correriam na mortalha esquecida
do traje de luto das folhas em que as palavras são escritas
pela suprema saudade …e das dores infinitas….
Alma errante é a minha…e jamais esquecerá a paixão
enquanto viver mesmo que a tristeza sufoque o meu coração
e que chore cega diante do altar que guarda a tua luz
onde os anjos anunciam a Primavera que me conduz
à tua imagem…aquela…singela…linda…guardada no pensamento
antes de existir a louca saudade e o sombrio tormento
que sei que não foi azar a cobardia de onde nasceu a solidão…
Embaciadas na alma estão as imagens no espelho da ilusão
do poeta que chora e se vê perderem-se entre blasfémias frustradas
de quem consegue deixar sinicamente abandonadas
as paixões … sem se entregar nu ao caminho das dores
de boca amordaçada e os lassos pés que ensanguentam as flores
as mesmas que cuidei com fé do pai e do amante …a fé… fé santa
que ao vento impuro das ilusões que semeei na poesia quebranta
nas almas que pintamos nas palavras da realidade que vacila...
Rezo…aprendi a rezar…ajoelhado vejo a vela arder tranquila
ardem esperanças das ilusões serem um dia ilusões floridas
de caminhar cantando nas poesias que escutava perdidas
que entre Deus e a solidão do secreto amor nunca vou desistir
de ser feliz e poder amar… gritar ao gozar…beijar…sentir…
…viver…é isso…viver a vida …viver o amor com a certeza de paz
mesmo sabendo que doce ilusão e a esperança jamais será audaz
ao ponto de colocar de novo frente a frente onde Deus nos pôs
sem o fardo da saudade…mesmo que disfarçada com pó de arroz…
Sou poeta em busca da razão para não acreditar no louco amor...
Triste por esta tentativa fatal que causa tanta dor
uma eterna sede de luz e desalmado nesta fome de ti
sou poeta que de estrela em estrela em busca da flor que perdi
de mar em mar busco na correnteza a sereia peregrina,
de jardim em jardim procuro aspirar o cheiro da rosa campina,
de voz em voz procuro o fado do mar nos versos de amar…
Sou inútil!!! É inútil o esforço pelo qual jurei fielmente lutar
se não sentir a luz, o cheiro, ou do alento da tua voz
nesta minha vida que não é mais que loucura atroz!
Onde te escondes…onde escondo na poesia essa nossa loucura
enquanto me contorço na terra e me afundo enquanto dura
um homem esquecido dentro do poeta em ermo recatado,
onde só a voz do coração e a lágrima tem sentido pelo que brado…
Serei louco?

Robert

2 comentários:

NalvaSol disse...

É linda,cheia de emoção,de tuas angustias e buscas...É Poesia viva...que corta a alma e molha a folha...Um abraço!

Bia Hain disse...

Robert, não se culpe. Você não é louco, é o amor que nos faz sentir assim, como se fosse um vício do qual estamos longe e do qual só a presença do outro é capaz de abrandar. Um abraço!

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