Vi de olhos fechados


Vi de olhos fechados



Entrei na velha igreja e fechei os chorados olhos meigos,
o destino apoderou-se da alma sem pingo de piedade
obrigando-me a olhar-te branca sob o altar já casada,
abençoada no meio um ruído apenas pela dura realidade,
onde os sentimentos são leigos e jamais poderás ser amada.



Sei que nunca deveria ter entrado nestes mares agitados,
enfrentando as ondas sem querer e sem saber nadar,
Ah, mas eu tinha que ver mesmo de olhos fechados e chorados
e matar o sonho confortável de hoje ainda não ser amanhã…
As lágrimas que corriam no meu rosto teimavam em afogar
o sorriso falseado que soltava ao ver-te com flores de laranjeira
como aquelas que colhíamos em nome do verdadeiro amor.



Ajoelhado no lateral altar de Stº António tapei o rosto ao passares
no torpor da minha fé fui demónio de mim mesmo de tanta dor,
pela certeza irrequieta que tão sossegadamente aceitei te perder…
senti-me análogo ao nada que fui no dia que em vi desprezares
toda a álgebra que meu coração fez para ser eu a dar a mão
ao matrimónio entre o meu amor e a tua paixão…



Saíram todos…saíram todos menos Deus e minha alma perdida
por esse momento sem importância que te assassinou em mim
ontem, hoje e para o resto da minha vida…
O cego que pedia esmola tocou-me em Braile exclamando admirado.
- Eu vi…senti! Aliás não vi nada, não vi amor e senti tristeza ,
existia vácuo com certeza no coração apaixonado…
- Mas vi…com certeza que vi….que o amor nunca morrerá em ti…



Robert

1 comentário:

Bia Hain disse...

Nossa, que triste, Robert! É duro ver quem amamos casando com outra pessoa. Mas o tempo é sábio, o mundo dá voltas, e um grande amor nunca se perde para sempre do outro. Um abraço!

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